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Empresa em Malta para Brasileiros: Imposto e Reembolso 2026

•10 min de leitura•Autor verificado.•Atualizado em

Resposta rápida

Uma empresa em Malta paga 35% sobre o lucro, e o sócio pode pedir reembolso de 6/7 desse imposto, o que deixa 5% de carga efetiva no caso geral. Malta não consta da lista de tratados da Receita, e o controlador pessoa física paga 15% no Brasil pela Lei 14.754.

Alíquota da empresa em Malta
35%
Reembolso ao sócio no caso geral
6/7do imposto da empresa
Carga efetiva no caso geral
5%
Capital mínimo da private company
€ 1.164,69
Alíquota da Lei 14.754 sobre lucros de controlada
15%pessoa física
Imagem ilustrativa: Empresa em Malta para Brasileiros: Imposto e Reembolso 2026

Uma empresa em Malta paga 35% de imposto sobre o lucro, e o sócio que recebe dividendos pode pedir reembolso de 6/7 desse imposto, o que leva a carga efetiva a 5% no caso geral. Para o brasileiro, o ponto central é outro: não há tratado Brasil-Malta na lista da Receita, e a pessoa física que controla a empresa paga 15% no Brasil sobre o lucro em 31 de dezembro, pela Lei 14.754.

Vista aérea da capital de Malta, Valletta, com suas fortificações históricas e o mar Mediterrâneo ao fundo
PontoO que a fonte oficial dizFonte
Alíquota da empresa35% sobre o lucro tributávelIncome Tax Act (Cap. 123), art. 56(6)
Reembolso ao sócio6/7 do imposto da empresa no caso geral; 5/7 em renda passivaIncome Tax Management Act (Cap. 372), art. 48(4A)
Carga efetiva no caso geral5% (35% menos 6/7)Cálculo sobre os arts. 56(6) e 48(4A)
Capital mínimo (private company)€ 1.164,69, com 20% integralizado na assinaturaCompanies Act (Cap. 386), art. 72
Tratado com o BrasilMalta não consta da lista da Receita FederalReceita Federal
Lei brasileira de controladasLucros tributados em 31 de dezembro, a 15%Lei 14.754, arts. 2º e 5º

Como funciona o sistema de reembolso em Malta?

Malta usa o sistema de imputação total. A empresa paga 35% sobre o lucro (Income Tax Act, art. 56(6)), e o acionista, ao receber dividendo, pode pedir de volta parte desse imposto. O reembolso não reduz a alíquota da empresa. É um pedido do sócio, feito depois da distribuição.

As frações vêm do Income Tax Management Act (Cap. 372), art. 48:

  • •6/7 do imposto: é a regra geral para dividendos pagos com lucros alocados à conta de lucros tributados em Malta ou à conta de renda estrangeira (art. 48(4A)(a)). Sobra 1/7 de 35%, ou seja, 5%.
  • •5/7 do imposto: vale quando o dividendo sai de juros ou royalties passivos, ou de dividendos de uma participação que não cumpre as condições do art. 12(1)(u) do Income Tax Act. Sobra 2/7 de 35%, ou seja, 10%.
  • •Sem reembolso: se o lucro está na conta de renda estrangeira e a empresa já pediu alívio de dupla tributação, esse mesmo lucro não gera reembolso pelo art. 48(4A).
  • •2/3 do imposto: o art. 48(4) prevê essa fração para dividendos de lucros da conta de renda estrangeira (ou de uma international trading company) pagos a sócio não residente em Malta, com condições sobre a propriedade e o domicílio de quem controla.

O reembolso nunca pode passar do imposto que a empresa de fato pagou ao Commissioner sobre aquele lucro. O sócio também precisa estar registrado na forma prevista em regulamento. As regras mudam, e a autoridade fiscal maltesa é nomeada no texto consolidado do Cap. 123 como Commissioner for Tax and Customs. Confirme as frações e o procedimento no portal do CFR e em legislation.mt antes de calcular qualquer distribuição.

Participation exemption: quando o dividendo recebido fica isento?

O art. 12(1)(u) do Income Tax Act isenta a renda e os ganhos que uma empresa registrada em Malta obtém de uma participating holding. A definição do art. 2 inclui, entre outros casos:

  • •ter diretamente pelo menos 5% das ações, com direito a pelo menos 5% de dois itens entre voto, lucros distribuíveis e ativos na liquidação;
  • •ter investimento de pelo menos € 1.164.000, mantido por um período ininterrupto de 183 dias ou mais;
  • •ter direito de indicar um administrador na investida.

Para dividendos de participações adquiridas a partir de 1º de janeiro de 2007, a isenção exige ainda que a investida atenda a uma condição: ser residente ou constituída na União Europeia, sofrer tributação estrangeira de pelo menos 15% ou não ter mais de 50% da renda em juros ou royalties passivos. Se nenhuma for cumprida, valem duas condições alternativas (participação que não seja investimento de carteira e tributação mínima de 5%). O texto completo está no Income Tax Act.

Como se constitui a empresa e quais são as exigências do Companies Act?

O Companies Act (Cap. 386) traz as regras básicas da private company:

  • •Capital mínimo autorizado: € 1.164,69, subscrito por pelo menos duas pessoas (art. 72(1)).
  • •Integralização: no mínimo 20% do valor nominal de cada ação subscrita, na assinatura do memorando (art. 72(3)).
  • •Administração: pelo menos um diretor (art. 137(2)).
  • •Secretário: toda empresa deve ter um company secretary (art. 138(1)).
  • •Sede: a lei prevê endereço do registered office em Malta nos atos de constituição.

As taxas de registro e anuidade ficam no Malta Business Registry. Os honorários de advogados, contadores e administradores variam por prestador, e não há tabela oficial. Por isso este guia não traz uma faixa de custo total: peça cotação por escrito.

O que o Brasil diz sobre Malta?

Tratado. A lista de acordos para evitar a dupla tributação da Receita Federal (atualizada em 28/08/2026) não inclui Malta. Sem tratado, não há como invocar regra de convenção para reduzir imposto ou resolver conflito de residência. Veja a página oficial antes de qualquer decisão, porque novos acordos podem entrar em vigor.

Lista de paraísos fiscais. Malta não aparece no art. 1º da IN RFB 1.037/2010. O art. 2º, inciso IX, porém, classifica como regime fiscal privilegiado o regime maltês aplicável às International Trading Companies (ITC) e às International Holding Companies (IHC). A Lei 9.430/1996, art. 24, usa o limite de alíquota inferior a 17%, e os 35% nominais de Malta ficam acima dele. Quem tem estrutura antiga com esses regimes deve conferir o enquadramento.

Pessoa física controladora. A Lei 14.754/2023 tributa os lucros da controlada em 31 de dezembro de cada ano (art. 5º), à alíquota de 15% (art. 2º, § 1º), sem esperar a distribuição. Mas o regime do art. 5º só alcança a controlada que (i) esteja em país de tributação favorecida ou tenha regime fiscal privilegiado, ou (ii) tenha renda ativa própria inferior a 60% da renda total (§ 5º). Uma empresa maltesa operacional pode ficar de fora; uma holding que recebe sobretudo dividendos, juros ou royalties tende a entrar no inciso II, porque esses ingressos não contam como renda ativa própria (§ 6º).

Imposto pago em Malta. A lei permite deduzir o imposto devido no exterior pela controlada (art. 5º, § 15), mas veda deduzir o imposto passível de reembolso, restituição, ressarcimento ou compensação no exterior (art. 4º, § 3º, remetido pelo § 15, V). Como o reembolso maltês é justamente isso, a parcela reembolsável do imposto de 35% não deve ser tratada como crédito no Brasil.

Pessoa jurídica brasileira. Para empresa domiciliada no Brasil, a Lei 12.973/2014, art. 77, leva ao lucro real e à base da CSLL a parcela do ajuste do investimento equivalente aos lucros da controlada no exterior.

Quais declarações o brasileiro precisa fazer?

  1. •DAA: a pessoa física declara a controlada, os lucros tributados e o custo do crédito de dividendo a receber, de forma separada (Lei 14.754, art. 5º, §§ 10 e 11).
  2. •CBE: a declaração de capitais no exterior é anual quando, em 31 de dezembro, o total de bens e valores do declarante no exterior é igual ou superior a US$ 1 milhão. Veja o Censo de Capitais Brasileiros no Exterior.
  3. •Troca de informações: Malta assinou o Acordo Multilateral de Autoridades Competentes do CRS em 29 de outubro de 2014, com primeira troca em setembro de 2017, conforme a lista da OCDE. Contas e participações em Malta não ficam fora do alcance da Receita.

Malta é a escolha certa?

Faça estas perguntas antes de comparar números:

  • •A empresa vai ter atividade real, com clientes, contratos e equipe, ou será só uma holding?
  • •Quem vai receber os dividendos, e onde essa pessoa é residente para fins fiscais?
  • •O sócio brasileiro suportaria a tributação de 15% sobre o lucro todo ano, mesmo sem distribuir?
  • •Há tratado que alivie o imposto? Para Malta, hoje não.

Para comparar jurisdições, veja a página de Malta, o planejamento fiscal internacional, as estruturas corporativas e o guia de contas empresariais no exterior. Para o risco de a empresa ser tratada como sediada no Brasil, leia sobre estabelecimento permanente e o imposto mínimo global de 15%. Este artigo trata de empresa em Malta, e não de residência ou golden visa: para isso, veja o comparativo de golden visas na Europa.

Barcos ancorados em uma baía azul-turquesa em Malta, com casas costeiras e vegetação exuberante
empresa em MaltaMalta companyreembolso ao acionista Maltatratado Brasil MaltaLei 14.754 controlada

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Dr. Heitor Miguel

Advogado inscrito na OAB/SP 252.633. MBA em Direito Empresarial e M&A pela FGV. Especialista em Direito Internacional e iGaming. Presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB/SBC. Deal Maker of the Year 2014 - IAE Awards.

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Qual é a alíquota de imposto de uma empresa em Malta?

A alíquota sobre o lucro da empresa é de 35% (Income Tax Act, art. 56(6)). O sócio pode pedir reembolso de parte desse imposto ao receber dividendos: 6/7 no caso geral, o que deixa 5% de carga efetiva, ou 5/7 em renda passiva, o que deixa 10% (Income Tax Management Act, art. 48(4A)).

Existe tratado entre Brasil e Malta?

Malta não consta da lista de acordos para evitar a dupla tributação publicada pela Receita Federal (atualizada em 28/08/2026). Confira a página oficial antes de decidir, porque novos acordos podem entrar em vigor.

Malta está na lista de paraísos fiscais da Receita?

Malta não consta do art. 1º da IN RFB 1.037/2010. O art. 2º, inciso IX, porém, cita como regime fiscal privilegiado o regime das International Trading Companies e International Holding Companies. A Lei 14.754 também alcança controladas com renda ativa própria inferior a 60% da renda total, mesmo fora dessas listas.

Preciso pagar imposto no Brasil sobre os lucros da empresa em Malta?

Se você é pessoa física residente no Brasil e controla uma entidade que se enquadra no art. 5º, § 5º, da Lei 14.754, os lucros são tributados em 31 de dezembro de cada ano, a 15%, mesmo sem distribuição. Se a controlada não se enquadrar nas hipóteses do § 5º, o regime do art. 5º não se aplica, e a análise muda. Peça parecer sobre o seu caso.

O reembolso de 6/7 vira crédito de imposto no Brasil?

Não deve. O art. 4º, § 3º, da Lei 14.754 veda deduzir o imposto exterior que seja passível de reembolso, restituição, ressarcimento ou compensação, e o art. 5º, § 15, V, remete a essa vedação para o crédito da controlada.

Qual é o capital mínimo para abrir uma empresa em Malta?

Para uma private company, o capital autorizado mínimo é de € 1.164,69, subscrito por pelo menos duas pessoas, com pelo menos 20% do valor nominal de cada ação integralizado na assinatura do memorando (Companies Act, art. 72).