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Compliance e Regulamentação

Regras CFC no Mundo: Brasil, EUA, Reino Unido e Alemanha 2026

•11 min de leitura•Autor verificado.•Atualizado em

Resposta rápida

Regras CFC tributam o lucro de empresa no exterior controlada por residentes, mesmo sem distribuição. No Brasil, a Lei 14.754 trata a pessoa física, com 15% sobre o lucro de controladas elegíveis em 31 de dezembro, e a Lei 12.973 trata a pessoa jurídica. EUA, Reino Unido e Alemanha têm regimes próprios.

Alíquota sobre lucro de controlada elegível (pessoa física)
15%em 31 de dezembro
Renda ativa própria mínima (Lei 14.754)
60%da renda total
Renda ativa própria para consolidação (Lei 12.973)
80%da renda total
Controle de CFC nos EUA
mais de 50%do voto ou do valor
Imagem ilustrativa: Regras CFC no Mundo: Brasil, EUA, Reino Unido e Alemanha 2026

Regras CFC (Controlled Foreign Company) tributam o lucro de uma empresa no exterior controlada por residentes, mesmo que ele não seja distribuído. No Brasil, a Lei 14.754/2023 cobre pessoas físicas, com alíquota de 15% sobre o lucro de controladas elegíveis em 31 de dezembro, e a Lei 12.973/2014 cobre pessoas jurídicas. EUA, Reino Unido e Alemanha têm regimes próprios.

Visão aérea de um labirinto complexo, simbolizando a complexidade das regulamentações fiscais internacionais e a necessidade de navegação estratégica

O que são regras CFC e para que servem?

Regras CFC impedem que o lucro fique "parado" numa empresa estrangeira para adiar o imposto. Quando o contribuinte controla a empresa, o país de residência tributa o lucro dela no ano em que ele é apurado, ou nos casos que a lei define, e não apenas quando o dinheiro chega ao dono.

Cada país define três pontos: o que é controle, que tipo de empresa ou renda entra no regime e quando o imposto é cobrado. Para quem tem empresa fora, a pergunta prática é qual país reivindica tributar o lucro, e isso depende da residência fiscal de cada sócio.

Como o Brasil aplica regras CFC à pessoa física?

A Lei 14.754/2023 considera controlada a entidade em que a pessoa física tem preponderância nas deliberações ou mais de 50% do capital ou dos lucros, sozinha ou com pessoas vinculadas (art. 5º, § 1º). Entram no regime do art. 5º as controladas que:

  • •estejam em país de tributação favorecida ou tenham regime fiscal privilegiado (arts. 24 e 24-A da Lei 9.430/1996); ou
  • •tenham renda ativa própria inferior a 60% da renda total (art. 5º, § 5º).

Nesses casos, o lucro é tributado em 31 de dezembro de cada ano, no ajuste anual, à alíquota de 15% e sem deduções da base de cálculo (art. 5º, caput, e art. 2º, § 1º). As controladas fora dessas hipóteses são tributadas quando o lucro é disponibilizado ao sócio (art. 6º, II).

O imposto pago no exterior pode ser deduzido do IRPF nas condições do art. 4º. A pessoa física também pode optar por declarar os bens da entidade como se fossem seus. Essa opção do art. 8º é irrevogável enquanto ela mantiver a entidade.

Renda ativa própria é a receita obtida diretamente pela entidade em atividade econômica própria. Royalties, juros, dividendos, participações societárias, aluguéis, aplicações financeiras e intermediação financeira ficam de fora (art. 5º, § 6º). Para o passo a passo da declaração, veja como declarar offshore no imposto de renda.

E a pessoa jurídica brasileira com controlada no exterior?

A Lei 12.973/2014 adota a tributação em bases universais. A parcela do ajuste do investimento em controlada, direta ou indireta, no exterior, equivalente aos lucros que ela auferiu antes do imposto sobre a renda, entra no lucro real e na base da CSLL da controladora brasileira (art. 77). A controladora registra esses resultados em subcontas da conta de investimento (art. 76).

Pontos que mudam em relação à pessoa física:

PontoPessoa física (Lei 14.754)Pessoa jurídica (Lei 12.973)
Base legal do regimeArts. 5º e 6ºArts. 76 a 92
Critério de renda ativaMenos de 60% da renda total entra no art. 5ºConsolidação de resultados não vale para investida com renda ativa própria inferior a 80% (art. 78, IV)
Dedução do imposto pago foraArt. 4º, nas condições da leiArt. 87, proporcional à participação e até o limite do imposto brasileiro sobre aquelas parcelas
Equiparação à controladoraPessoas vinculadas contam no controle (art. 5º, § 3º)Coligada equiparada quando a empresa, com vinculadas, tem mais de 50% do capital votante (art. 83)

A consolidação de resultados positivos e negativos de controladas é uma faculdade da empresa, e não vale para investidas em país sem acordo de troca de informações fiscais, em país de tributação favorecida ou regime privilegiado, ou controladas por essas (art. 78, I a III). A empresa também pode optar por pagar o imposto proporcionalmente aos lucros distribuídos nos anos seguintes, dentro dos limites do art. 90.

O texto vigente muda com frequência. Confira o texto atualizado no Planalto antes de aplicar um artigo a um caso real.

Como funciona o regime CFC dos EUA (Subpart F e GILTI)?

Nos EUA, uma controlled foreign corporation é a empresa estrangeira em que acionistas americanos detêm mais de 50% do poder de voto ou do valor das ações (26 U.S.C. § 957(a)). Para esse fim, acionista americano é a US person que detém 10% ou mais do voto ou do valor (§ 951(b)).

O § 951 trata dos valores incluídos na renda dos acionistas americanos, e o § 951A cria a inclusão do GILTI (global intangible low-taxed income), calculado a partir da renda tributável da CFC (net CFC tested income). A edição 2024 do U.S. Code, que consultamos, usa o nome GILTI. Mudanças legislativas posteriores podem alterar nomes e cálculo, então confirme a regra vigente com um advogado ou contador americano.

Para brasileiros, o regime importa quando você é uma US person, conceito definido pelo § 7701(a)(30) e aplicado ao § 957. Confirme com um profissional americano se você se enquadra. Uma LLC americana de sócio brasileiro não residente é assunto diferente, tratado em estrutura offshore para empreendedores digitais.

Como funciona o regime CFC do Reino Unido?

O regime britânico se aplica a empresas residentes fora do Reino Unido que são controladas por residentes do Reino Unido (HMRC, INTM191100). O controle pode ser legal (participação e documentos), econômico (direito a lucros e ativos) ou contábil (critério de empresa controladora).

A cobrança incide apenas sobre os lucros tributáveis da CFC, que são os que passam pelo "portão" (CFC charge gateway) definido na Parte 9A do TIOPA 2010. O HMRC descreve esses lucros como os que foram artificialmente desviados do Reino Unido. Para a maioria das CFCs, a análise termina nos testes iniciais do capítulo 3.

Para brasileiros, o regime importa quando há residência ou controle no Reino Unido.

Como funciona a Hinzurechnungsbesteuerung da Alemanha?

A Alemanha chama o regime de tributação de adição (Hinzurechnungsbesteuerung), previsto na Lei de Tributação Exterior (Außensteuergesetz, AStG). O contribuinte alemão que controla uma sociedade estrangeira é tributado, na proporção de sua participação, sobre as rendas em que ela é "sociedade intermediária" (AStG § 7 Abs. 1).

O controle existe quando o contribuinte, sozinho ou com pessoas próximas, tem mais da metade dos votos, das participações no capital, ou do direito ao lucro ou ao produto da liquidação (§ 7 Abs. 2). A baixa tributação ocorre quando a carga de imposto sobre a renda é inferior a 15% (§ 8 Abs. 5). Rendas de agricultura, indústria e certas atividades de seguros e bancos não entram no conceito de sociedade intermediária (§ 8 Abs. 1).

Como os quatro regimes se comparam?

PaísCritério de controleGatilho principalFonte
Brasil (pessoa física)Preponderância nas deliberações ou mais de 50% do capital ou dos lucrosPaís favorecido, regime privilegiado ou renda ativa própria abaixo de 60%Lei 14.754, art. 5º
Brasil (pessoa jurídica)Controladora, direta ou indireta, e coligada equiparadaLucros da controlada entram no lucro real e na CSLLLei 12.973, arts. 77 e 83
EUAAcionistas americanos com mais de 50% do voto ou do valor; acionista americano tem 10% ou maisRenda incluída conforme §§ 951 e 951A26 U.S.C. §§ 951, 951A e 957
Reino UnidoControle legal, econômico ou contábil por residentesLucros que passam pelo CFC charge gatewayHMRC, INTM191100
AlemanhaMais da metade dos votos, do capital ou do lucroRenda de sociedade intermediária com carga abaixo de 15%AStG §§ 7 e 8

O quadro serve para comparar critérios, não para decidir um caso. Um mesmo lucro pode ser alvo de dois países quando você tem mais de uma residência ou cidadania, e a solução depende de tratado, de crédito do imposto pago fora e da residência fiscal.

Como se preparar para as regras CFC em 2026?

  1. •Mapeie a cadeia societária. Liste cada entidade, o percentual direto e indireto e as pessoas vinculadas.
  2. •Classifique a renda. Separe receita ativa de royalties, juros, dividendos, aluguéis e aplicações, que não contam como renda ativa.
  3. •Verifique o país da entidade. Cheque se ele se enquadra nos arts. 24 e 24-A da Lei 9.430/1996.
  4. •Guarde a contabilidade. Balanços, extratos e documentos de cada entidade sustentam o cálculo do lucro.
  5. •Declare nos dois canais. O lucro vai na DAA, e o patrimônio no exterior acima do limite vai à CBE do Banco Central.
  6. •Revise todo ano. Leis mudam, e o enquadramento pode mudar com elas.

A fiscalização brasileira também usa a troca automática de informações, tema de CRS e troca de informações fiscais e de fiscalização da Receita sobre offshores. Para apoio na análise, veja planejamento fiscal e compliance.

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Dr. Heitor Miguel

Advogado inscrito na OAB/SP 252.633. MBA em Direito Empresarial e M&A pela FGV. Especialista em Direito Internacional e iGaming. Presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB/SBC. Deal Maker of the Year 2014 - IAE Awards.

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O que significa CFC em tributação internacional?

CFC significa Controlled Foreign Company (ou Corporation), isto é, empresa estrangeira controlada por residentes de outro país. As regras CFC permitem que esse país tribute o lucro da empresa no exterior, mesmo sem distribuição, conforme os critérios da lei local.

Qual lei brasileira trata de CFC para pessoa física?

É a Lei 14.754/2023. O art. 5º trata das controladas no exterior de pessoas físicas residentes e tributa os lucros em 31 de dezembro, à alíquota de 15%, nas hipóteses do § 5º. As demais controladas seguem o art. 6º.

Qual lei brasileira trata de CFC para pessoa jurídica?

É a Lei 12.973/2014, nos arts. 76 a 92. O art. 77 manda computar no lucro real e na CSLL a parcela dos lucros da controlada no exterior, e o art. 78 trata da consolidação de resultados.

Renda ativa própria é a mesma coisa para pessoa física e jurídica?

O conceito é parecido nas duas leis: receita obtida pela própria entidade em atividade econômica própria, sem royalties, juros, dividendos, aluguéis e outras receitas listadas. O limite muda: a Lei 14.754 usa 60% da renda total (art. 5º, § 5º) e a Lei 12.973 usa 80% para a consolidação (art. 78, IV).

Como o Reino Unido define uma CFC?

Segundo o HMRC, é uma empresa residente fora do Reino Unido controlada por residentes do Reino Unido. O controle pode ser legal, econômico ou contábil, e a cobrança só atinge os lucros que passam pelo CFC charge gateway da Parte 9A do TIOPA 2010.

Qual é o limite de baixa tributação na regra alemã?

Pelo § 8 Abs. 5 do AStG, há baixa tributação quando a carga de imposto sobre a renda dos lucros considerados é inferior a 15%. Isso se aplica a rendas de sociedade intermediária, e as exceções do § 8 Abs. 1 podem afastar o regime.