Seguro D&O Internacional para Brasileiros em 2026
Resposta rápida
O seguro D&O paga a defesa e as indenizações quando administradores são acionados por atos de gestão. Para o brasileiro com empresa no exterior, o primeiro passo é saber quem contrata e onde: a LC 126/2007, art. 20, limita o seguro contratado fora do Brasil por residente ou empresa brasileira.
- Limite para seguro contratado no exterior por residente
- LC 126/2007, art. 20
- Responsabilidade civil do administrador de S.A. (Lei 6.404/1976)
- art. 158
- Base do seguro D&O em Delaware
- DGCL, seção 145(g)
- Camadas de cobertura
- Side A, B e C
- 01O que é o seguro D&O e o que ele cobre?
- 02Por que o administrador de empresa offshore também está exposto?
- 03O que são Side A, Side B e Side C?
- 04Claims-made ou occurrence: qual a diferença?
- 05Um brasileiro pode contratar D&O no exterior?
- 06Como funciona um programa D&O multi-jurisdicional?
- 07O que costuma ficar de fora da apólice?
- 08Quando vale a pena contratar D&O?
- 09O que define o preço do seguro D&O?
- 10Como contratar com segurança?

O seguro D&O (Directors and Officers) paga a defesa e as indenizações quando administradores e conselheiros são acionados por decisões de gestão. Para o brasileiro com empresa no exterior, o primeiro passo é saber quem contrata e onde: a Lei Complementar 126/2007 limita o seguro contratado fora do Brasil por residente ou empresa brasileira.

O que é o seguro D&O e o que ele cobre?
O seguro D&O protege o patrimônio pessoal de quem administra uma empresa: diretores, gerentes, conselheiros e, conforme a apólice, outros executivos. Ele costuma cobrir custos de defesa e valores de condenação ou acordo em reclamações por falha de gestão, dentro dos limites e das exclusões escritos na apólice.
O que está coberto depende do texto de cada contrato. Dois contratos com o mesmo nome podem proteger coisas diferentes. Por isso, a regra prática é comparar a apólice (o wording), não o nome do produto.
Reclamações que costumam motivar o acionamento, conforme o contrato:
- •decisões de negócio questionadas por sócios ou investidores;
- •supostas falhas de informação em documentos da empresa;
- •investigações de reguladores contra administradores;
- •reclamações de credores, funcionários ou terceiros contra quem administra.
Por que o administrador de empresa offshore também está exposto?
O administrador responde pessoalmente em certos casos, e isso vale para empresas no Brasil e no exterior. Na lei brasileira das sociedades por ações, o administrador deve agir com o cuidado de quem administra os próprios negócios (Lei 6.404/1976, art. 153) e responde civilmente pelos prejuízos que causar com culpa ou dolo, ou com violação da lei ou do estatuto (art. 158). No Código Civil, os administradores de sociedades respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho das funções (art. 1.016).
Essas regras valem para empresas brasileiras. Para uma LLC ou uma corporation no exterior, vale a lei do local de constituição. Em Delaware, por exemplo, a corporação tem poder de comprar e manter seguro em favor de seus diretores e executivos, mesmo quando a própria empresa não poderia indenizá-los (DGCL, seção 145(g)). Se você administra uma entidade estrangeira, confirme com um advogado local qual regime de responsabilidade se aplica a ela. Veja também como a estrutura corporativa influencia quem responde por quê, e as regras da jurisdição de Delaware.
O que são Side A, Side B e Side C?
São as três camadas de proteção que muitas apólices D&O combinam. A diferença está em quem recebe o pagamento.
| Camada | Quem é protegido | Quando entra |
|---|---|---|
| Side A | O próprio executivo | Quando a empresa não pode ou não quer indenizar o executivo |
| Side B | A empresa | Quando a empresa indeniza o executivo e depois é reembolsada pela seguradora |
| Side C | A empresa como parte | Quando a empresa é acionada, em geral por questões de valores mobiliários (entity coverage) |
A Side C nem sempre existe: muitas apólices de empresas fechadas cobrem só A e B. Verifique no contrato quais camadas foram contratadas.
Claims-made ou occurrence: qual a diferença?
Na apólice claims-made, vale a data em que a reclamação é feita, e não a data do ato. A reclamação precisa chegar durante a vigência (ou durante um período adicional de notificação, se o contrato tiver). Na apólice occurrence, vale a data do fato que gerou o dano, mesmo que a reclamação venha depois.
| Claims-made | Occurrence | |
|---|---|---|
| Data que conta | Da reclamação | Do fato |
| Efeito prático | É preciso manter a cobertura ou contratar período de extensão para ter proteção depois do fim | Cobre fatos ocorridos na vigência, ainda que a reclamação chegue depois |
| Ponto de atenção | Data de retroação (retroactive date) e prazo para notificar | Menos comum em D&O |

No D&O, o modelo claims-made é o que se vê com mais frequência. Quem troca de seguradora ou deixa a apólice vencer precisa checar a data de retroação e o prazo de notificação para não ficar sem proteção sobre fatos antigos. Confirme essas cláusulas no contrato antes de assinar.
Um brasileiro pode contratar D&O no exterior?
Depende de quem é o contratante. A Lei Complementar 126/2007, art. 20, restringe a contratação de seguros no exterior por pessoas naturais residentes no Brasil e por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil a quatro situações:
- •cobertura de riscos para os quais não exista oferta de seguro no País, desde que a contratação não infrinja a legislação vigente;
- •cobertura de riscos no exterior em que o segurado seja pessoa natural residente no Brasil, com vigência restrita ao período em que ele estiver fora;
- •seguros objeto de acordos internacionais referendados pelo Congresso Nacional;
- •seguros que, pela legislação em vigor na data de publicação da lei, já fossem contratados no exterior.
O parágrafo único do mesmo artigo permite que pessoas jurídicas contratem seguro no exterior para cobertura de riscos no exterior, informando a contratação ao órgão fiscalizador de seguros brasileiro, no prazo e nas condições definidos pelo órgão regulador. O art. 19 diz que os seguros obrigatórios são celebrados exclusivamente no País, ressalvado o art. 20.
O texto da lei se aplica a residentes e a empresas domiciliadas no Brasil. Uma empresa constituída no exterior que contrata o seu próprio seguro não é, só por isso, alcançada por essa regra. O enquadramento do seu caso (quem é o tomador, quem paga o prêmio, onde está o risco) deve ser confirmado com um advogado e com um corretor habilitado. A Susep é a autoridade a consultar sobre as condições de informação ao órgão fiscalizador.
Como funciona um programa D&O multi-jurisdicional?
Em grupos com empresas em vários países, é comum haver uma apólice mestre (master policy) no país da matriz e apólices locais nos países em que a lei ou o regulador exige seguro emitido localmente. As apólices locais costumam ser coordenadas com a mestre por cláusulas de diferença em condições e diferença em limites (DIC/DIL), para que o conjunto se complemente.
Na prática, o ponto crítico é a coordenação: qual apólice responde primeiro, como as notificações são feitas e como se evitam lacunas entre os contratos. Isso vale especialmente para quem tem holding, subsidiárias e controladas no exterior. Se a estrutura envolve operação em mais de um país, avalie também o risco de estabelecimento permanente e de proteção de dados, que podem gerar reclamações contra administradores.
O que costuma ficar de fora da apólice?
As exclusões variam por contrato, mas algumas aparecem com frequência. Leia a lista no seu wording e peça ao corretor para explicá-la item por item:
- •Conduta dolosa ou fraudulenta, em geral depois de decisão final que a reconheça;
- •Vantagem pessoal indevida obtida pelo segurado;
- •Danos corporais e materiais, que pertencem a outros seguros;
- •Reclamações já conhecidas antes do início da apólice;
- •Reclamações entre segurados, conforme redação do contrato;
- •Poluição e questões ambientais, tratadas em apólice própria;
- •Multas e penalidades, cuja cobertura depende da lei aplicável e do texto da apólice.
A inclusão ou não de cada item muda de um contrato para outro. Não presuma cobertura: confirme por escrito.
Quando vale a pena contratar D&O?
Vale considerar quando você assina como administrador, diretor ou conselheiro e responde com patrimônio pessoal por decisões da empresa. Alguns cenários em que o tema costuma aparecer:
- •Contrato ou estatuto exige: investidores, acordos de sócios e contratos podem exigir D&O. Veja como isso aparece num acordo de sócios internacional;
- •Entrada de investidores externos: fundos e sócios minoritários costumam pedir proteção aos administradores;
- •Empresa com sócios, funcionários e credores em vários países: a chance de uma reclamação de terceiros aumenta;
- •Mudança de controle ou de equipe: aquisições e saídas de executivos trazem risco de reclamações sobre decisões passadas.

O que define o preço do seguro D&O?
O preço depende da avaliação de risco feita pela seguradora, e não existe tabela pública que sirva de referência confiável. Por isso, este artigo não traz valores: só uma cotação formal, baseada nas informações da sua empresa, dá um número real.
Os fatores que a seguradora costuma avaliar são:
- •setor de atividade e países de operação;
- •tamanho, receita e estrutura societária;
- •histórico de reclamações e litígios;
- •qualidade da governança e dos controles internos;
- •limite de cobertura e franquia escolhidos;
- •se há captação de investidores ou emissão de valores mobiliários.
Para comparar propostas, peça sempre cotações com o mesmo limite, a mesma franquia e as mesmas camadas (Side A, B e C). Se também estiver estruturando a carteira em várias moedas, alinhe a moeda da apólice com a moeda em que as contingências seriam pagas.
Como contratar com segurança?
O caminho recomendado tem quatro passos:
- •Mapeie a estrutura: liste empresas, países, cargos de administração e quem controla quem;
- •Confirme as regras de contratação: verifique, com advogado e corretor, se a LC 126/2007 afeta quem vai contratar e como informar o órgão fiscalizador, quando couber;
- •Compare propostas por escrito: coloque lado a lado limites, franquias, camadas, exclusões, data de retroação e prazo de notificação;
- •Revise todo ano: mudanças na estrutura, em países de atuação ou em investidores pedem revisão da apólice. Se precisar de apoio com a estrutura, veja o planejamento fiscal e a consulta com a OffshoreProz.
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Dr. Heitor Miguel
Advogado inscrito na OAB/SP 252.633. MBA em Direito Empresarial e M&A pela FGV. Especialista em Direito Internacional e iGaming. Presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB/SBC. Deal Maker of the Year 2014 - IAE Awards.
O que é o seguro D&O internacional?
É um seguro de responsabilidade civil para administradores de empresas, contratado com uma apólice que cobre atos de gestão em mais de um país. Ele paga custos de defesa e indenizações dentro dos limites e das exclusões do contrato.
O D&O cobre o patrimônio da empresa ou o da pessoa?
Depende da camada. A Side A protege a pessoa do executivo, a Side B reembolsa a empresa quando ela indeniza o executivo e a Side C protege a própria empresa quando ela é parte da reclamação. Confira no contrato quais camadas foram contratadas.
Quem mora no Brasil pode comprar D&O de uma seguradora estrangeira?
A LC 126/2007, art. 20, só permite o seguro contratado no exterior por residente ou empresa domiciliada no Brasil nas situações que lista, como risco sem oferta no País ou risco no exterior. Antes de contratar, confirme o seu enquadramento com um advogado e um corretor habilitado.
Uma LLC americana precisa ter D&O?
A lei de Delaware dá à corporação o poder de comprar o seguro para seus diretores e executivos (DGCL, seção 145(g)), mas isso é uma faculdade, e não uma obrigação geral. A exigência costuma vir de contratos com investidores ou de acordos de sócios.
O que acontece se a apólice claims-made vencer sem renovação?
As reclamações feitas depois do fim da vigência, em regra, ficam fora da cobertura, salvo se o contrato tiver período adicional de notificação ou extensão. Por isso, a data de retroação e o prazo de notificação precisam ser verificados antes de trocar de seguradora ou deixar a apólice vencer.
O D&O cobre fraude?
Em regra, não cobre conduta dolosa ou fraudulenta reconhecida em decisão final, mas a redação varia por contrato. Muitas apólices pagam a defesa até a decisão final. Confirme essa cláusula por escrito com a seguradora.
- Research
Lei Complementar 126/2007, arts. 19 e 20
www.planalto.gov.br
- Research
Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.), arts. 153 e 158
www.planalto.gov.br
- Research
Código Civil (Lei 10.406/2002), art. 1.016
www.planalto.gov.br
- Research
Delaware General Corporation Law, Título 8, Capítulo 1, Subcapítulo IV, seção 145(g)
delcode.delaware.gov
- Research
Susep
www.gov.br


