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Compliance e Regulamentação

Doação Internacional em 2026: ITCMD, Gift Tax e Reporte

•9 min de leitura•Autor verificado.•Atualizado em

Resposta rápida

O ITCMD é estadual e, se o doador mora no exterior, a Constituição remete a competência a lei complementar. Nos EUA, o não residente fica sujeito ao imposto sobre doação de bens imóveis ou tangíveis situados no país. Cada lado tem seu reporte: Form 3520, Form 709-NA e CBE.

Limite anual de exclusão do gift tax dos EUA (Form 709, edição 2025)
19.000US$
Limite do Form 3520 para doações de não residentes estrangeiros
100.000US$
Multa máxima por falta de reporte de doações estrangeiras
25%do valor
Limite da declaração anual da CBE
1.000.000,00US$
Imagem ilustrativa: Doação Internacional em 2026: ITCMD, Gift Tax e Reporte

Doação internacional não é livre de imposto nem de reporte. No Brasil, o ITCMD é estadual e, quando o doador mora no exterior, a Constituição remete a competência para lei complementar. Nos Estados Unidos, o imposto sobre doação alcança não residentes quando o bem é imóvel ou tangível situado no país. Cada lado tem seu próprio formulário e prazo.

Escritório de advocacia internacional com documentos de planejamento sucessório e passaportes sobre a mesa

O ITCMD incide sobre doações com doador ou bens no exterior?

A Constituição dá aos Estados e ao Distrito Federal a competência para instituir o imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos (art. 155, I). O § 1º do mesmo artigo diz qual estado cobra e como. A Emenda Constitucional 132/2023 mexeu nesse parágrafo, e o texto atual vale a leitura direta no Planalto.

O ponto central para quem tem família ou bens fora do país é o inciso III: a competência para instituir o imposto fica regulada por lei complementar se o doador tiver domicílio ou residência no exterior, ou se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o inventário processado fora do Brasil. Ou seja, a Constituição não resolve o caso sozinha. Antes de planejar, confirme com um advogado tributarista se há lei complementar em vigor e como a lei do seu estado trata a situação. As regras, alíquotas e isenções variam por estado, então consulte a Secretaria da Fazenda estadual.

Qual estado é competente e como o imposto é calculado?

O art. 155, § 1º, da Constituição organiza a regra assim:

SituaçãoO que diz a Constituição
Bem imóvel e direitos sobre eleCompete ao estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal (inciso I)
Bem móvel, título e créditoCompete ao estado onde era domiciliado o de cujus ou onde tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal (inciso II, redação da EC 132/2023)
Doador com domicílio ou residência no exteriorCompetência regulada por lei complementar (inciso III)
AlíquotasMáximas fixadas pelo Senado Federal (inciso IV)
ProgressividadeO imposto será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação (inciso VI, incluído pela EC 132/2023)

O texto da EC 132/2023 repete a nova redação dos incisos II e VI. A Constituição também prevê que o imposto não incide sobre doações e transmissões para instituições sem fins lucrativos de relevância pública e social, nas condições da lei complementar (inciso VII). O percentual efetivo do seu caso depende da lei estadual, e nenhum valor deve ser assumido sem consultar a Fazenda do estado.

Doação de pais para filhos antecipa a herança?

Sim, e isso importa mais do que parece. O art. 544 do Código Civil diz que a doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança. O art. 549 declara nula a doação na parte que exceder aquela de que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento. E o art. 1.846 reserva aos herdeiros necessários a metade dos bens da herança, a legítima.

Na prática, mover patrimônio para o exterior por doação não escapa dessas regras. Uma doação que invade a legítima pode ser contestada, qualquer que seja o país onde o bem esteja. Para a visão geral de sucessão com ativos fora do Brasil, veja o guia de planejamento sucessório internacional e o artigo sobre como a offshore afeta o inventário.

E se a doação passar por um trust no exterior?

A Lei 14.754/2023 trata do assunto no art. 10. Para os fins da lei, os bens e direitos objeto de trust no exterior permanecem sob a titularidade do instituidor após a instituição do trust e passam à titularidade do beneficiário no momento da distribuição pelo trust ou do falecimento do instituidor, o que ocorrer primeiro. O § 2º considera a mudança de titularidade como transmissão a título gratuito do instituidor para o beneficiário: doação, se ocorrer durante a vida do instituidor, ou transmissão causa mortis, se decorrer do falecimento.

A transmissão ao beneficiário também pode ser reputada anterior a esse momento se o instituidor abdicar, em caráter irrevogável, do direito sobre parcela do patrimônio do trust (§ 1º). Ler o texto completo no Planalto é indispensável antes de estruturar qualquer trust. Para o debate sobre a estrutura em si, veja trust offshore para brasileiros: vale a pena?.

Os Estados Unidos cobram imposto sobre a doação?

O imposto federal americano sobre doação, segundo as instruções do Form 709 (edição de 2025), aplica-se a qualquer transferência por doação de bens reais ou pessoais, tangíveis ou intangíveis, feita direta ou indiretamente. A regra muda para o não residente que não é cidadão (NRNC): ele fica sujeito ao imposto sobre doações de bens imóveis ou outros bens tangíveis situados nos Estados Unidos. Nesse caso, o formulário é o Form 709-NA.

As instruções de 2025 informam que a exclusão anual é de US$ 19.000, e que o NRNC deve entregar o Form 709-NA quando fizer doações de interesses futuros ou quando as doações de interesses presentes a donatários que não sejam o cônjuge somarem mais de US$ 19.000. Os valores mudam por ano, então confirme os do ano da doação.

Participações em LLC e outros ativos intangíveis exigem análise caso a caso. As instruções falam em bens imóveis ou tangíveis situados nos EUA para o NRNC, e a classificação de uma participação societária depende da estrutura. Para quem tem uma LLC, a página de estruturas corporativas apresenta o serviço.

O Form 3520 vale para brasileiro que recebe doação do exterior?

Só se o donatário for uma "U.S. person" nos termos das instruções. Segundo as instruções do Form 3520, a obrigação alcança a pessoa dos EUA que, no ano, recebeu mais de US$ 100.000 de um não residente estrangeiro individual ou de uma sucessão estrangeira, tratados como doações ou legados (Parte IV). Valores recebidos de pessoas relacionadas entre si somam-se para esse limite.

Quem deixa de entregar sofre a penalidade das doações estrangeiras previstas na seção 6039F: 5% do valor das doações para cada mês de atraso, até o máximo de 25%. Quem não se enquadra como pessoa dos EUA não entra, por si só, nessa regra. Quem tem vínculo com os EUA, como residência fiscal, precisa conferir a definição de U.S. person nas instruções antes de decidir.

Quando a CBE entra na doação internacional?

A Resolução BCB nº 279/2022 exige a declaração anual de capitais brasileiros no exterior quando eles somam US$ 1.000.000,00 ou mais na data-base de 31 de dezembro (art. 10). Se, depois de uma doação, o residente no Brasil passar a ter ativos fora do país acima desse valor, a obrigação surge. A declaração trimestral só se aplica a partir de US$ 100.000.000,00 (art. 11). O texto está na Resolução BCB 279 e as orientações na página da CBE.

Como organizar uma doação internacional, passo a passo?

  1. •Identifique doador, donatário e onde cada um é residente fiscal.
  2. •Liste os bens e a localização de cada um: imóvel, conta, ação, participação em LLC.
  3. •Descubra o estado competente e leia a lei estadual do ITCMD; confirme se há lei complementar aplicável.
  4. •Verifique a legítima e o adiantamento de herança, se o donatário for descendente.
  5. •Veja as obrigações nos EUA, se o bem estiver lá ou se alguma das partes for pessoa dos EUA.
  6. •Guarde o contrato de doação, a prova do valor e da data, os extratos e os comprovantes de cada recolhimento.
  7. •Verifique a CBE e a declaração anual do ano seguinte.

Para apoio nessa frente, veja a página de planejamento fiscal.

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Dr. Heitor Miguel

Advogado inscrito na OAB/SP 252.633. MBA em Direito Empresarial e M&A pela FGV. Especialista em Direito Internacional e iGaming. Presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB/SBC. Deal Maker of the Year 2014 - IAE Awards.

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Quem cobra o ITCMD sobre bem móvel doado?

Segundo o art. 155, § 1º, II, da Constituição, na redação da EC 132/2023, a competência é do estado onde era domiciliado o de cujus ou onde tem domicílio o doador, ou do Distrito Federal. Se o doador mora no exterior, o inciso III remete a competência a lei complementar.

O ITCMD é progressivo?

Sim. O inciso VI do § 1º do art. 155 da Constituição, incluído pela EC 132/2023, diz que o imposto será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação. As alíquotas máximas são fixadas pelo Senado Federal (inciso IV) e as alíquotas efetivas dependem da lei de cada estado.

Doar para um filho antecipa a herança?

Sim. O art. 544 do Código Civil determina que a doação de ascendentes a descendentes importa adiantamento do que lhes cabe por herança. O art. 549 declara nula a parte da doação que exceda o que o doador poderia dispor em testamento.

A doação por meio de um trust é considerada doação?

Segundo o art. 10, § 2º, da Lei 14.754/2023, a mudança de titularidade do patrimônio do trust é considerada transmissão a título gratuito do instituidor para o beneficiário. Ela é doação se ocorrer durante a vida do instituidor e transmissão causa mortis se decorrer do falecimento.

Quando é preciso entregar o Form 3520 por causa de uma doação?

Segundo as instruções do IRS, quando uma pessoa dos EUA recebe, no ano, mais de US$ 100.000 de um não residente estrangeiro individual ou de uma sucessão estrangeira, tratados como doações ou legados. A multa por falta de reporte é de 5% do valor por mês de atraso, até 25%.

A CBE precisa ser entregue depois de uma doação internacional?

Depende do total. A Resolução BCB 279/2022 exige a declaração anual quando os capitais brasileiros no exterior somam US$ 1.000.000,00 ou mais em 31 de dezembro (art. 10). Se a doação elevar o seu patrimônio fora do país acima desse valor, a obrigação surge.