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Concierge para HNWI: Como Contratar e Limites em 2026

•8 min de leitura•Autor verificado.•Atualizado em

Resposta rápida

Concierge para HNWI é um serviço contratado para cuidar da logística de quem tem grande patrimônio: viagens, saúde, segurança e compras. Ele executa e coordena; não decide residência fiscal, estrutura societária nem investimentos. O contrato deve fixar escopo, sigilo, poderes e prestação de contas.

Alíquota sobre lucros e dividendos de controlada no exterior (Lei 14.754, art. 2º)
15%
Renda ativa própria abaixo da qual o lucro é tributado em 31/12 (art. 5º)
60% da renda total
Artigo da LGPD sobre medidas de segurança
46art.
Norma da FAA sobre registro por cidadãos, residentes e trusts
14 CFR § 47.7
Imagem ilustrativa: Concierge para HNWI: Como Contratar e Limites em 2026

Concierge para HNWI é um serviço contratado que cuida da logística da vida de quem tem grande patrimônio: viagens, aviação, saúde, segurança, compras e agenda. Ele não substitui advogado, contador nem gestor patrimonial. O que decide se o serviço ajuda ou expõe você é o contrato: escopo, sigilo, poderes dados e quem paga cada despesa.

Empresário de alto patrimônio revisando documentos de viagem e planejamento financeiro em ambiente executivo

O que um concierge para HNWI faz de fato?

Ele executa e coordena. Reserva voo e hospedagem, organiza a mudança de uma família, agenda consultas e acompanha a rotina de funcionários domésticos, por exemplo. Em famílias com várias residências e países, também faz a ponte entre fornecedores e os profissionais que cuidam da parte jurídica e fiscal.

O limite está no que o serviço não decide: onde fica a residência fiscal, quem é dono de um imóvel ou de uma aeronave, e como a despesa entra na declaração. Essas escolhas continuam com você e com seus assessores. Sem essa divisão clara, o concierge acaba assinando e pagando coisas que deveriam passar por contrato e por conferência fiscal.

Qual a diferença entre concierge, family office e gestor patrimonial?

A diferença está na função. O concierge cuida do dia a dia, o family office coordena o patrimônio e a sucessão da família, e o gestor decide sobre investimentos. A tabela resume o recorte de cada um.

QuemFocoO que não deve assumir
ConciergeViagens, logística, compras, agenda, fornecedoresDecisão de investimento, estrutura societária, tributação
Family officeCoordenação de patrimônio, sucessão, relatórios consolidadosRotina pessoal da família, quando houver concierge
Gestor de investimentosCarteira, alocação, custódiaContratos de estilo de vida e fornecedores
Advogado e contadorEstrutura jurídica, declarações, conformidadeExecução diária de viagens e compras

Para o desenho do family office, veja o guia de family office offshore. Para a sucessão, o serviço de planejamento sucessório trata da parte que o concierge não deve tocar.

Como contratar um concierge sem perder o controle?

Contrate por escrito, com escopo fechado e poderes limitados. O contrato precisa dizer o que o prestador pode comprar em seu nome, até que valor, com quais documentos e como a prestação de contas chega ao seu contador. Evite procuração ampla e cartão sem limite, porque o gasto sem nota ou sem finalidade registrada vira problema na hora de declarar.

Cinco pontos merecem cláusula própria: o escopo e o que fica de fora, o sigilo, a lista de subcontratados, o dever de prestar contas e a forma de encerrar o contrato. Sobre preço, não há tabela confiável que valha para todos. Peça proposta por escrito, com o que está incluído, o que é repassado ao custo e quais taxas incidem sobre cada compra.

Como proteger dados pessoais e a segurança da família?

O concierge conhece rotina, endereços, viagens e muitas vezes dados de saúde. A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) trata dado de saúde como dado pessoal sensível (art. 5º, II) e obriga quem trata dados a adotar medidas de segurança técnicas e administrativas contra acesso não autorizado e vazamento (art. 46). O operador que descumprir a lei ou as instruções do controlador responde solidariamente pelos danos (art. 42, § 1º, I).

Na prática, peça ao prestador: quais dados ele guarda, onde, por quanto tempo e com quem divide. Exija que subcontratados assumam as mesmas obrigações por escrito. O tema da privacidade do patrimônio é desenvolvido em privacidade patrimonial: estratégias legais. Para cobertura médica fora do país, veja saúde internacional para HNWI.

Quem deve ser dono do jato, do iate ou da obra de arte?

Depende de residência, do uso e da lei de registro do bem, e a decisão cabe ao advogado e ao contador, não ao concierge. Dois exemplos mostram por quê.

No Brasil, a propriedade de uma aeronave se adquire, entre outras formas, pela inscrição do título de transferência no Registro Aeronáutico Brasileiro (Código Brasileiro de Aeronáutica, art. 115, IV). Nos EUA, a regra de registro da FAA exige que o requerente seja cidadão americano ou residente estrangeiro, e quando o título fica em trust, os trustees devem ser cidadãos ou residentes (14 CFR § 47.7). Ou seja, não basta "ter uma empresa fora" para registrar um avião; o desenho precisa ser conferido caso a caso. O assunto está em jato privado offshore: estrutura, e o de arte e bens de luxo em luxury assets offshore e em investimentos alternativos: arte e vinho.

Uma empresa offshore pode pagar despesas pessoais?

Essa é a pergunta que mais exige cuidado, e a resposta é do seu contador. Para o residente no Brasil, a Lei 14.754/2023 manda declarar na Declaração de Ajuste Anual os lucros e dividendos de entidades controladas no exterior, à alíquota de 15% (art. 2º). Se a empresa paga uma despesa pessoal, o contador precisa dizer se aquilo equivale a distribuição, como documentar e onde declarar. Pagar sem essa análise cria um passivo que só aparece depois.

A mesma lei prevê que o lucro da controlada seja tributado em 31 de dezembro quando ela está em país de tributação favorecida ou tem renda ativa própria inferior a 60% da renda total (art. 5º, § 5º). A lei define renda ativa própria como a receita obtida com atividade econômica da própria controlada (art. 5º, § 6º, I), então uma empresa que só recebe aportes e paga despesas do dono não se encaixa nesse conceito. Por isso, o contrato do concierge deve prever a emissão de notas em nome de quem de fato paga, e o planejamento fiscal deve ser feito antes de a empresa assumir o gasto.

Quais obrigações de declaração aparecem com bens e contas no exterior?

Imóveis, aeronaves, obras de arte e contas fora do Brasil são capital brasileiro no exterior. A Lei 14.286/2021 define o termo como valores, bens, direitos e ativos de qualquer natureza detidos fora do território nacional por residentes (art. 8º, I) e autoriza o Banco Central a requisitar informações, definindo responsáveis, prazos e critérios (art. 10, III). Os limites e prazos atuais estão na página da Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) do Banco Central, que deve ser lida no ano da declaração.

O passo prático é manter um inventário único de bens e contas, com valor, data e documento de cada item, atualizado pelo contador. Quem presta o serviço de compliance usa esse inventário para conferir as entregas dos dois países.

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Dr. Heitor Miguel

Advogado inscrito na OAB/SP 252.633. MBA em Direito Empresarial e M&A pela FGV. Especialista em Direito Internacional e iGaming. Presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB/SBC. Deal Maker of the Year 2014 - IAE Awards.

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O que é concierge para HNWI?

É um serviço contratado para cuidar da logística de quem tem grande patrimônio, como viagens, saúde, segurança e compras. Ele executa e coordena; decisões jurídicas, fiscais e de investimento ficam com os assessores.

O concierge pode ter procuração para movimentar minhas contas?

O ideal é não dar poderes amplos. Defina por contrato o que o prestador pode comprar, até que valor e com qual comprovação. Movimentação de conta e assinatura de contratos relevantes devem passar por você ou por quem tem esse mandato formal.

O concierge pode ver meus dados de saúde?

Só se isso for necessário e estiver previsto em contrato. A LGPD classifica o dado de saúde como sensível (art. 5º, II) e exige medidas de segurança de quem o trata (art. 46). Peça ao prestador a lista do que ele guarda e a política de acesso.

Quanto custa um serviço de concierge?

Não existe preço único. Os valores variam conforme o escopo, o número de fornecedores e o que é repassado ao custo. Peça proposta por escrito, com o que está incluído e quais taxas incidem sobre cada compra.

Posso registrar um avião nos EUA em nome de uma empresa estrangeira?

A regra da FAA no 14 CFR § 47.7 trata de cidadãos americanos, residentes estrangeiros e trusts com trustees que sejam cidadãos ou residentes. A estrutura precisa ser conferida por advogado de aviação antes da compra.

Despesa pessoal paga por empresa offshore é tributada no Brasil?

Depende da natureza do pagamento e da situação da controlada. A Lei 14.754 manda declarar lucros e dividendos de controladas à alíquota de 15% e prevê tributação em 31 de dezembro em duas hipóteses. Peça a análise do caso ao contador antes de pagar a despesa.

Preciso declarar bens no exterior ao Banco Central?

A Lei 14.286 autoriza o Banco Central a requisitar informações sobre capitais brasileiros no exterior. Os limites e prazos da CBE estão na página oficial do Banco Central e mudam por regulamentação, então confira o ano corrente.